• Persevera Asset Management

Uma robusta performance nos últimos 3 meses



Como nos propusemos, a cada 3 meses dedicaremos uma carta mensal à atualização dos resultados obtidos pelas nossas estratégias, e voltaremos a focar em nossas teses de investimento e de mais longo prazo nas publicações seguintes. No período em questão, de maio a julho de 2019, o fundo Persevera Compass FIC FIM apresentou rentabilidade de 3,99%, o que representou 251% do CDI (1,59%).


Os destaques positivos foram as estratégias de renda fixa no mercado local, com uma contribuição de 349bps[1]. A Persevera tem defendido há bastante tempo a necessidade de uma dose maior de estímulo monetário pelo Banco Central, através de um ciclo adicional de cortes na taxa de juros. Antecipávamos um crescimento econômico muito fraco e taxas de inflação surpreendendo para baixo, o que de fato ocorreu e levou o Copom a indicar que voltaria a cortar os juros, como fez em 31/7. Mantivemos operações aplicadas em juros nominais e reais, sendo que a principal contribuição positiva veio das estratégias com opções que se beneficiavam da queda da taxa Selic.


Na Persevera, temos uma preocupação constante em analisar através do nosso ferramental proprietário a alavancagem do mercado nos diferentes ativos, de forma a dimensionar bem o tamanho das posições e selecionar o melhor instrumento para adquirir as exposições desejadas. Decidimos montar parte relevante da posição em juros através de opções de diferentes vencimentos, pois essas estruturas traziam proteção num mercado com posições bastante alavancadas. Também nessa linha, migramos parte relevante da posição de juros pré-fixados para a curva de NTN-Bs a partir de junho, uma vez que a inflação implícita, principalmente nos prazos mais curtos, caiu para patamares que consideramos baixos. Em outras palavras, conforme o custo de carregarmos essas posições foi caindo, migramos para tais instrumentos, que trazem exposição a juros locais com proteção inflacionária.



A principal contribuição negativa do período (-19 bps) veio das estratégias de renda fixa internacional, devida principalmente à posição tomada nos juros americanos de 10 anos. Em maio, com a crescente preocupação de uma forte desaceleração global e da possibilidade de os Estados Unidos entrarem em recessão, as taxas de prazos mais longos tiveram uma forte queda. Com isso, decidimos montar uma posição tomada nesse mercado por considerar prematuro, naquele momento, esperar um cenário de recessão na economia americana. Em junho, com a queda forte das expectativas de inflação e a crescente preocupação com a desaceleração econômica global, o mercado passou a antecipar corte na taxa básica de juros pelo Fed, o que nos fez zerar essa posição, para talvez retornar a taxas mais baixas. Ainda achamos exageradas as preocupações com a possibilidade de uma recessão nos EUA.


As estratégias de renda variável trouxeram a segunda maior contribuição positiva, agregando 44 bps ao desempenho do fundo. Os destaques foram as posições direcionais comprada em Ibovespa e a carteira fundamentalista de ações. As principais posições individuais no período foram as ações de Qualicorp e Duratex, com altas de 33% e 26%, respectivamente. Do lado negativo, a posição comprada em Braskem, no book de arbitragem de risco, e algumas estratégias long&short trouxeram perdas nos últimos três meses.


Pela filosofia de gestão da Persevera, buscamos continuamente encontrar posições de proteção (Hedge) para o nosso portfólio. Em maio, mais uma vez o mercado de ações global foi marcado por um período de turbulência, com a bolsa americana perdendo 6,50% no mês. Assim, a posição vendida em futuros do índice S&P 500 cumpriu esse importante papel ao agregar 30 bps à performance, evitando uma perda mais aguda na carteira no início daquele mês. Isso nos trouxe conforto em aumentar a exposição a ações no Brasil num momento de realização do mercado.


Como mencionado na última carta mensal intitulada “Real: uma moeda mais estável”, acreditamos que o Brasil está entrando em um período de surpreendente estabilidade cambial. A razão disso é a grande redução do diferencial de juros e a consequente queda nas posições de carry-trade[2]. Por termos uma menor convicção em movimentos direcionais no Real, temos acertadamente alocado mais risco às estratégias de renda fixa e renda variável em comparação às estratégias com o câmbio. Temos utilizado a moeda brasileira em posições menores e mais táticas ou como proteção para as demais estratégias locais. Em maio, por exemplo, usamos uma posição comprada em dólar contra real para proteger a carteira. Já em junho, com a evolução na perspectiva de aprovação da reforma da previdência, montamos uma posição comprada em real que teve um retorno positivo no mês. A contribuição das estratégias em moedas, que incluiu posições em real, peso mexicano, dólar australiano, dólar canadense e yuan chinês foi, no entanto, neutra no período em questão.


Olhando para frente, continuamos bastante otimistas com investimentos em ações no Brasil, apesar de nossa visão menos construtiva para a atividade econômica. Acreditamos que o impulsionador dos resultados das empresas não será o crescimento do PIB e das receitas em si, mas sim a contínua melhora nas margens de lucro das empresas de capital aberto. Assim, temos aumentado de forma consistente a alocação a ações locais. No entanto, balanceamos essa estratégia com posições de hedge através da compra opções de venda, num momento em que a volatilidade dos mercados estava bastante reduzida[3]. Essas estratégias protegerão a carteira em momentos de eventuais quedas agudas, permitindo que usemos essas oportunidades para aumentar a exposição a ações.


No mercado de juros locais, reduzimos a exposição após a forte queda nas taxas pré-fixadas, que agora já incorporam um corte adicional na taxa Selic nos próximos meses. Acreditamos que a recuperação do crescimento será mais gradual, e dependerá de um estímulo monetário adicional relevante, pelo Banco Central. É possível que a taxa Selic possa ter que ser levada ao patamar de 4% para permitir uma recuperação consistente da atividade econômica. No entanto, se a autoridade monetária for cautelosa na implementação da política monetária, o mercado poderia passar por alguma turbulência, dados os fortes ganhos nos últimos meses. Sendo assim, essa redução tática nos permitirá construir um melhor entendimento de como o Banco Central pretende implementar o estímulo adicional de forma a nos posicionarmos adequadamente.


Carta_2019_07
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[1] 1 ponto base (bp - basis point) corresponde a um resultado de 0,01%.

[2] As posições de carry trade envolvem a compra de ativos de renda fixa locais em países cuja taxa de juros é muito elevada, de forma que o “carregamento” dessas posições compense o risco de flutuação cambial.

[3] Ao redor de 22%a.a.


Equipe Persevera.

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(11) 4780-3794



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